Para cada coração partido existe um copo vazio.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Acidentes.
Moro em uma cidade grande. Daquelas onde há milhões e milhões de habitantes vivendo suas vidas inúteis, na grande colméia de ferro e concreto. Vivendo e morrendo.
Alguns desses habitantes gostam de números, como se eles dessem veracidade aos fatos. Enfim, caso você seja um destes, vou tentar assimilar a situação. Grande metrópole, população entre oito e nove milhões,seres humanos. Cerca de cinquenta mil deles morrem todo mês.
Estatísticas. Números.
Cinquenta mil mortos ao mês, cinquenta mil e dizem que a maioria das mortes não são esperadas. Não são mortes naturais ,idosos, enfermos, portadores de câncer ou essas bichas aidéticas que vemos andando por ai. São acidentes. Apenas uma forma da natureza dizer que não somos mais bem vindos.
Somos obrigado a conviver com esses acidentes, eles ocorrem a todo momento.
Criança de 8 anos é atropelada enquanto brincava em frete sua casa. Acidente.
Estudante de direito morre em assalto a bando. Acidente
Algumas pessoas preferem a palavra fatalidade.
Médico pedófilo é morto no trânsito por bala perdida. Acidente.
Trabalhador morto em serviço. Acidente.
Acontece a toda hora e preferimos ignorar.
A maioria das pessoas, até mesmo as que gostam de números desconhecem estas estatísticas.
Advogado corrupto cai de sua cobertura.
Fora o sangue espalhado na calçada de um bairro nobre, nenhum alarde.
Fatalidade.
Faz parte da natureza humana, a omissão esta culturalmente inserida na mente das pessoas.
Não é errado, é o famoso nem fede nem cheira. As pessoas morrem, é natural.
As outras pessoas simplesmente não ligam.
Quem iria ligar para um traficante que acidentalmente teve uma overdose com uma droga supostamente adulterada?
Simplesmente não existe compaixão quando o cadáver ainda sangra sobre os montes de pó.
Omissão. Fatalidade.
Um menor delinquente, trombadinha.
Corpo encontrado no beco. Saco de cola na mão esquerda, faca que costumava ficar na direita. No peito.
Acidente.
Pai de família, três filhos, farmacêutico, classe média, suposto infarto. Encontrado morto na casa da amante.
Acidente. Omissão.
Poucos como eu conseguem enxergar os detalhes.
Os atos e filosofias por traz da fatalidade de uma morte.
A maioria nem sequer da importância ao fato.
É capaz que no inconsciente geral elas estejam implícitas, mas é mais cômodo serem ignoradas. Omissão.
Uma criança que caçava e brincava com seus gatos. Fatalidade.
Um padre que caçava e brincava com suas crianças. Acidente.
Talvez as pessoas não sejam tão inocentes talvez elas saibam de tudo. Talvez ignorem, ou não.
Omissão.
Um assassinato a balas. Acidente.
Um filé a parmegiana envenenado. Acidente.
Suicídio. Fatalidade.
Afogamento. Acidente
Problema no freio. Acidente.
Mês passado contei 35 mortes acidentais. Fatalidades.
Talvez um dia as pessoas comecem a reparar. Acidentes.
Talvez elas percebam todas outras vidas que acontecem paralelas as suas e talvez apareçam com piedade ou talvez pensem igual a mim, não sei, é possível. Omissões.
Acidente.
Fatalidade.
Omissão.
Talvez um dia surjam testemunhas e os acidentes deixem de ser acidentes, talvez as pessoas parem de chamar o que faço de fatalidades, mas até lá eu continuo.
Em uma grande metrópole alguns acidentes são inevitáveis.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
A menina da camiseta vermelha
Todos aqui conhecem ao menos uma história de amor em tempos de guerra?
Já ouviram histórias onde longe de casa, soldados se apegam a um amor pra sobreviver?
Isolados do mundo, em meio a sentimentos de ódio e desespero, o amor pode salvar a vida de um homem. Pode ser um amor antigo, distante ou apagado e algumas vezes, até um amor inexistente.
Mas onde no meio de tantas mortes, um homem pode encontrar o amor?
Nas prostitutas conhecidas a cada portos, em enfermeiras que lhe curam os ferimentos do corpo mas não da alma?
Não pode esse amor surgir de uma forma mais simples, mais inocente?
De um sorriso ao meio ao cinza? Uma canção no rádio? Um retrato. Talvez?
Filmes e romances nos mostram que esse amor, essa ilusão, essa esperança, enchem de força e esperança o corações de nossos soldados e o fazem caminhar, em busca da sua amada.
Nós não vivemos em guerra. Nem de longe vivemos as dificuldades de um campo de batalha.
Por isso pode parecer egocêntrico da minha parte dizer isso, mas todo homem precisa de um amor para seguir em frente.
E todos Estamos sujeitos, em épocas de coração vazio, de nos encantar por um par de olhos, um sorriso, até mesmo por uma foto.
Estamos abertos a novas paixões e encantos. Encanto esse que estava sujeito.
E é por isso que continuo caminhando em direção a esperança.
Esperança de conhecer pessoalmente seu lindo sorriso.
De conhecer pessoalmente minha menina de camiseta vermelha.
Já ouviram histórias onde longe de casa, soldados se apegam a um amor pra sobreviver?
Isolados do mundo, em meio a sentimentos de ódio e desespero, o amor pode salvar a vida de um homem. Pode ser um amor antigo, distante ou apagado e algumas vezes, até um amor inexistente.
Mas onde no meio de tantas mortes, um homem pode encontrar o amor?
Nas prostitutas conhecidas a cada portos, em enfermeiras que lhe curam os ferimentos do corpo mas não da alma?
Não pode esse amor surgir de uma forma mais simples, mais inocente?
De um sorriso ao meio ao cinza? Uma canção no rádio? Um retrato. Talvez?
Filmes e romances nos mostram que esse amor, essa ilusão, essa esperança, enchem de força e esperança o corações de nossos soldados e o fazem caminhar, em busca da sua amada.
Nós não vivemos em guerra. Nem de longe vivemos as dificuldades de um campo de batalha.
Por isso pode parecer egocêntrico da minha parte dizer isso, mas todo homem precisa de um amor para seguir em frente.
E todos Estamos sujeitos, em épocas de coração vazio, de nos encantar por um par de olhos, um sorriso, até mesmo por uma foto.
Estamos abertos a novas paixões e encantos. Encanto esse que estava sujeito.
E é por isso que continuo caminhando em direção a esperança.
Esperança de conhecer pessoalmente seu lindo sorriso.
De conhecer pessoalmente minha menina de camiseta vermelha.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Medo de Borboleta
Tem uma mariposa ali.
Existem pessoas também, loucas e desesperadas, com medo da morte. Existem paredes, correntes e soldados armados.
Não existe fé ou esperança, aqui não existe felicidade ou amor. Aqui só existe o medo o frio e a fome.
Não temos comida.
O segredo para manter a mente sã é manter a cabeça vazia, tento não pensar em nada, exceto que tem uma mariposa ali e que irão me assassinar.
Tenho uma janela sem vista ao alto, um buraco no canto direito para as necessidades, um banco de madeira fixado na parede esquerda, talhado nele existe uma cruz e algumas palavras, ainda não as li, talvez por não ser religioso ou muito provavelmente por que é ali que a mariposa descansa, não sei se está viva, provavelmente não.
Minha cela está vazia, estou aqui há dois dias e conheço cada centímetro dela mais do que conheço meu próprio corpo.
Os gritos de socorro me mostram que há pelo menos mais 15 prisioneiros.
Os gritos de desespero me mostram seus desejos, suas dores e histórias.
Seus silêncios me lembram da morte.
Mais dois dias se passaram, pelas minhas contas hoje somos 13.
Mais um dia e o silêncio se torna cada vez maior, acredito estarmos em 10 ou menos, ouvi tiros ontem à noite.
Trazem-me comida, como um pouco e tento racionar o restante em vão, pouco tempo depois voltam para me tirar o que sobrou.
É possível ver o tempo passar pela luz que entra pelo sujo vidro da janela, não que o tempo me interesse, mas tenho medo da mariposa que divide a cela comigo e esta se move sempre para a luz.
As marcas no banco foram talhadas a unha, é o salmo 23:
O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos,
guia-me mansamente às águas tranquilas;
Refrigera a minha alma,
guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome,
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte
não temeria mal algum, porque tu estás comigo.
O Salmo termina na metade, pode ser que quem esteve aqui não pode completar sua obra, duvido, minha teoria é que ao escrevê-lo a pessoa percebeu que estas palavras simplesmente não têm valor quando realmente se precisa delas.
Ao passar dos dias você aprende que o silêncio pode ser muito mais aterrorizante que os gritos.Estou aqui a quase duas semanas e acredito estarmos em três hoje. A porta se abre e um homem sem muito esforço me puxa para fora da cela, eu sei que minha hora chegou, sinto-me aliviado. Não temo mais a morte, mas tenho medo de borboletas e tem uma mariposa bem ali.
Existem pessoas também, loucas e desesperadas, com medo da morte. Existem paredes, correntes e soldados armados.
Não existe fé ou esperança, aqui não existe felicidade ou amor. Aqui só existe o medo o frio e a fome.
Não temos comida.
O segredo para manter a mente sã é manter a cabeça vazia, tento não pensar em nada, exceto que tem uma mariposa ali e que irão me assassinar.
Tenho uma janela sem vista ao alto, um buraco no canto direito para as necessidades, um banco de madeira fixado na parede esquerda, talhado nele existe uma cruz e algumas palavras, ainda não as li, talvez por não ser religioso ou muito provavelmente por que é ali que a mariposa descansa, não sei se está viva, provavelmente não.
Minha cela está vazia, estou aqui há dois dias e conheço cada centímetro dela mais do que conheço meu próprio corpo.
Os gritos de socorro me mostram que há pelo menos mais 15 prisioneiros.
Os gritos de desespero me mostram seus desejos, suas dores e histórias.
Seus silêncios me lembram da morte.
Mais dois dias se passaram, pelas minhas contas hoje somos 13.
Mais um dia e o silêncio se torna cada vez maior, acredito estarmos em 10 ou menos, ouvi tiros ontem à noite.
Trazem-me comida, como um pouco e tento racionar o restante em vão, pouco tempo depois voltam para me tirar o que sobrou.
É possível ver o tempo passar pela luz que entra pelo sujo vidro da janela, não que o tempo me interesse, mas tenho medo da mariposa que divide a cela comigo e esta se move sempre para a luz.
As marcas no banco foram talhadas a unha, é o salmo 23:
O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos,
guia-me mansamente às águas tranquilas;
Refrigera a minha alma,
guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome,
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte
não temeria mal algum, porque tu estás comigo.
O Salmo termina na metade, pode ser que quem esteve aqui não pode completar sua obra, duvido, minha teoria é que ao escrevê-lo a pessoa percebeu que estas palavras simplesmente não têm valor quando realmente se precisa delas.
Ao passar dos dias você aprende que o silêncio pode ser muito mais aterrorizante que os gritos.Estou aqui a quase duas semanas e acredito estarmos em três hoje. A porta se abre e um homem sem muito esforço me puxa para fora da cela, eu sei que minha hora chegou, sinto-me aliviado. Não temo mais a morte, mas tenho medo de borboletas e tem uma mariposa bem ali.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Um conto sobre o amor e outras metáforas.
Essa história é sobre um velho e um pássaro.
Não o seu pássaro, este não pertencia ao velho.
O velho sim pertencia ao pássaro.
Mas o velho não sabia como piar, e ao pássaro nada podia dizer.
E o pássaro, o pássaro de nada sabia.
O velho acostumado à todas as manhãs, acordar ao som da mesma melodia.
Todas as manhas ao ouvir o piar do pássaro, o velho se levanta, caminha até sua janela e a
abre.
Ahh, como ele gosta da sensação do sol quente batendo em seu rosto cansado, da brisa matinal em seu cabelo branco e desarrumado. E do pássaro, que acredita ser teu, cantando, a mais bela canção em seu parapeito.
O velho não sabe como agradecer ao sol, aos ares, e muito menos ao pássaro.
Ele não sabe piar, então segue seus afazeres, vira as costas ao canto e vai escovar os dentes, tomar seu banho e fazer a barba.
Na cozinha toma seu café enquanto seu pássaro, sozinho canta da janela.
Amanhã ele teria mais tempo.
Ele sempre tem.
Sua rotina é sempre a mesma.
A porta da sala bate, o velho segue rumo a coisas da vida, que julga serem mais importantes.
E sai ao mundo, mais um dia, sem um pio de despedida.
O velho, no fundo sabe que aquele canto matinal, é a melhor parte do seu dia.
Mas está acomodado, e sabe que depois do seu sono, seu pássaro estará ali, como sempre.
Amanhã ele teria mais tempo.
Ele sempre tem.
Sua rotina é sempre a mesma.
Isso é o que ele costumava acreditar, porém, no inverno, seu pássaro migrou para o interior.
E a partir desse dia suas manhãs não são mais as mesmas. Ele não é mais o mesmo.
O sol, agora cinzento se esconde, e o vento gelado de inverno corta seu rosto trist
Mas o pior é o silêncio, quase que absoluto,
a não ser por um piado bem baixo, de um velho, pedindo para ela voltar.
Não o seu pássaro, este não pertencia ao velho.
O velho sim pertencia ao pássaro.
Mas o velho não sabia como piar, e ao pássaro nada podia dizer.
E o pássaro, o pássaro de nada sabia.
O velho acostumado à todas as manhãs, acordar ao som da mesma melodia.
Todas as manhas ao ouvir o piar do pássaro, o velho se levanta, caminha até sua janela e a
abre.
Ahh, como ele gosta da sensação do sol quente batendo em seu rosto cansado, da brisa matinal em seu cabelo branco e desarrumado. E do pássaro, que acredita ser teu, cantando, a mais bela canção em seu parapeito.
O velho não sabe como agradecer ao sol, aos ares, e muito menos ao pássaro.
Ele não sabe piar, então segue seus afazeres, vira as costas ao canto e vai escovar os dentes, tomar seu banho e fazer a barba.
Na cozinha toma seu café enquanto seu pássaro, sozinho canta da janela.
Amanhã ele teria mais tempo.
Ele sempre tem.
Sua rotina é sempre a mesma.
A porta da sala bate, o velho segue rumo a coisas da vida, que julga serem mais importantes.
E sai ao mundo, mais um dia, sem um pio de despedida.
O velho, no fundo sabe que aquele canto matinal, é a melhor parte do seu dia.
Mas está acomodado, e sabe que depois do seu sono, seu pássaro estará ali, como sempre.
Amanhã ele teria mais tempo.
Ele sempre tem.
Sua rotina é sempre a mesma.
Isso é o que ele costumava acreditar, porém, no inverno, seu pássaro migrou para o interior.
E a partir desse dia suas manhãs não são mais as mesmas. Ele não é mais o mesmo.
O sol, agora cinzento se esconde, e o vento gelado de inverno corta seu rosto trist
Mas o pior é o silêncio, quase que absoluto,
a não ser por um piado bem baixo, de um velho, pedindo para ela voltar.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
O Filho da Puta
"Filhos da puta, sim, mas grandes filhos da puta, príncipes da puta.”
(Luis Fernando Verissimo)
Ele era um filho da puta, um verdadeiro filho da puta e dos bons, não daquele tipo odiado por todos, esse tipo que se queima em todos os círculos sociais e acaba sumindo uma hora ou outra, era do tipo odiado apenas por alguns, sem exageros, apenas o suficiente para ser um bom filho da puta.
Tirando suas necessárias divergências o filho da puta era muito bem aceito nas rodinhas. Não tinha dinheiro, não era muito educado, não era feio, mas também não era muito bonito, vendo assim não tinha nada que se chamasse atenção nele, porém era conhecido por muitos e sempre quase considerado bem vindo, os garotos adoravam suas histórias, o invejavam, queriam ser filhos da puta como ele.
As garotas, ah, as garotas eram um caso a parte, na verdade essas são donas de 80% de suas histórias e cerca de 99% de seus inimigos.
Ser filho da puta é uma arte e como dizem por ai todo artista precisa de uma musa inspiradora, um filho da puta precisa de muitas, as garotas, estas são simplesmente a razão dele se tornar e continuar sendo um filho da puta. Não consegue entender o porquê, acredita que nem elas realmente saibam, mas se uma coisa ele aprendeu é que toda garota gosta de um filho da puta.
-------
Filho da puta esse não surgiu em um ápice de raiva, mas sim por um histórico, uma evolução que além de atitudes e pensamentos carrega em si um estado de espírito, uma filosofia, algo como um filho da puta lifestyle. Sempre lembrado nas conversas de bar, sempre com entonação da voz ao ser lembrado, “Nossa ele foi muito filho da puta nessa”, longe de estar sendo insultado ao contrário, um filho da puta de verdade toma isso como elogio.
Um verdadeiro filho da puta sente orgulho de ser filho da puta.
Suas histórias, digníssimas filhas da putagem, não são feitas para serem criticadas, muito longe para serem analisadas, não são histórias de caráter não são para serem seguidas. São para serem ouvidas, admiradas e transmitidas até virarem lendas urbanas.
Cada filha da putagem cometida tem a cara do seu filho da puta e acreditem para o filho da puta não a nada melhor do que sentar no bar para tomar uma cerveja, ouvir uma história aleatória terminar com “isso sim é ser filho da puta”, calmamente erguer o copo tomar um gole e abrir um meio sorriso com o sentimento de dever cumprido.
(Luis Fernando Verissimo)
Ele era um filho da puta, um verdadeiro filho da puta e dos bons, não daquele tipo odiado por todos, esse tipo que se queima em todos os círculos sociais e acaba sumindo uma hora ou outra, era do tipo odiado apenas por alguns, sem exageros, apenas o suficiente para ser um bom filho da puta.
Tirando suas necessárias divergências o filho da puta era muito bem aceito nas rodinhas. Não tinha dinheiro, não era muito educado, não era feio, mas também não era muito bonito, vendo assim não tinha nada que se chamasse atenção nele, porém era conhecido por muitos e sempre quase considerado bem vindo, os garotos adoravam suas histórias, o invejavam, queriam ser filhos da puta como ele.
As garotas, ah, as garotas eram um caso a parte, na verdade essas são donas de 80% de suas histórias e cerca de 99% de seus inimigos.
Ser filho da puta é uma arte e como dizem por ai todo artista precisa de uma musa inspiradora, um filho da puta precisa de muitas, as garotas, estas são simplesmente a razão dele se tornar e continuar sendo um filho da puta. Não consegue entender o porquê, acredita que nem elas realmente saibam, mas se uma coisa ele aprendeu é que toda garota gosta de um filho da puta.
-------
Filho da puta esse não surgiu em um ápice de raiva, mas sim por um histórico, uma evolução que além de atitudes e pensamentos carrega em si um estado de espírito, uma filosofia, algo como um filho da puta lifestyle. Sempre lembrado nas conversas de bar, sempre com entonação da voz ao ser lembrado, “Nossa ele foi muito filho da puta nessa”, longe de estar sendo insultado ao contrário, um filho da puta de verdade toma isso como elogio.
Um verdadeiro filho da puta sente orgulho de ser filho da puta.
Suas histórias, digníssimas filhas da putagem, não são feitas para serem criticadas, muito longe para serem analisadas, não são histórias de caráter não são para serem seguidas. São para serem ouvidas, admiradas e transmitidas até virarem lendas urbanas.
Cada filha da putagem cometida tem a cara do seu filho da puta e acreditem para o filho da puta não a nada melhor do que sentar no bar para tomar uma cerveja, ouvir uma história aleatória terminar com “isso sim é ser filho da puta”, calmamente erguer o copo tomar um gole e abrir um meio sorriso com o sentimento de dever cumprido.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Com o dedo no gatilho.
I
Sentado a sua escrivaninha ele tenta extrair algum prazer do copo de cachaça em sua frente.
Nunca foi de beber, mas lhe agradaria muito uma garrafa de whisky ao lugar da cachaça, assim ele tinha imaginado, assim ele havia visto na TV.
Ele toma mais um trago curto e seco da cachaça, sente a garganta e o estomago não acostumado a beber reclamar da qualidade da bebida, deseja novamente um belo copo de Whisky, mas desfaz esse pensamento com o consentimento de que o pouco dinheiro que tinha foi bem gasto no velho 38.
Um longo gole parece lhe amaciar o estomago, a garganta ainda parece rejeitar a bebida quente.
Levanta-se, enche o copo de bebida, não ousa levá-lo aos lábios, caminha calmamente pelo cômodo em direção a uma gaveta no criado-mudo e com cuidado desembrulha de uma velha flanela a única bala que possui para carregar o revolver, não que ele não pudesse adquirir outras, mas sim pela certeza que quanto maior o número de balas, maior seria o número de mortes. Por alguns instantes que não poderia dizer se foram minutos ou segundos ele se pega pensando se seria capaz de cometer assassinato, acredita que não, mas sente-se aliviado em ter em suas mãos uma única bala e esta com destino certo.
Dobra a flanela, guarda e fecha a gaveta, após tomar a maior decisão de sua vida ainda mesmo que irracionalmente cumpre ordens de sua mulher e não consegue deixar o quarto desarrumado, abre exceção ao tombar os porta-retratos com as fotos dos filhos, que fixam um olhar de pena ao pai, com lágrimas nos olhos vira às costas a procura do copo da bebida. Esquece o retrato da mulher ainda ereto sobre o criado mudo, propositalmente.
II
Ele queria odiá-la, pelos anos jogados no lixo, pela confiança traída, pelas crianças e principalmente por orgulho. Ele sabe que deveria odiá-la, ele desejava odiá-la e seu desejo acima de tudo era um desejo de morte.
Mas ele é fraco, ele a ama.
Com as crianças passando o fim de semana na casa da avó seu desejo era de que pudesse passar uma noite inesquecível com a mulher, vinho, musica romântica, sexo. Jurou a si mesmo que iria foder ela como nunca fodeo com outra, iria lhe dizer que a perdoava, iria lhe fazer carinhos madrugada adentro e daria um presente cujo qual ela nunca poderia esquecer: Uma bala na cabeça.
Em seus pensamentos tudo era perfeito, mas a realidade era contrária aos seus sonhos, na realidade ele era um fodido.
Suas crianças não voltariam para casa. Sua mulher esta noite provavelmente irá foder com outro homem de uma maneira que com certeza que ele nunca conseguiria e sabe que o máximo de romantismo que conseguiria ter seria uma punheta bem batida.
Fodido ou não está é sua noite, esta é sua oportunidade e este é seu momento. Volta à escrivaninha , substitui o vinho por outro copo de cachaça, coloca sem pressa sua única bala no velho 38, e o som do tambor girando cria música onde antes só havia respiração.
Uma mão carrega o tambor enquanto a outra tenta carregar a alma de coragem. Começa encontrar prazer na bebida barata que agora mais rapidamente vai se esvaziando do seu copo e por um instante acredita ter encontrado a solução para seus problemas, por um instante acredita ter encontrado a solução para todos os problemas do mundo, apenas por um instante, apenas por mais um momento de fraqueza.
Com poucos orgulhos na vida ele não desiste da decisão, era ele ou ela, não suportaria a idéia de um mundo onde um dos dois estivesse vivo, mas ele é fraco, ele a ama e como um dos dois tinha de morrer resolveu salvar a vida de sua amada tirando a própria, tudo isso parece muito bonito, muito poético e seria se sua escolha não se baseasse também no fato dele ser um fodido e sua vida ser uma merda.
A música para.
Seu braço calmamente levanta o revolver até a altura da cabeça, o tambor aponta a região do crânio acima da orelha tirando qualquer visão que poderia ter da cena. Suas mãos tremem e evidenciam o quanto é fraco, toma mais um trago sabendo que nada adiantará. Arrepende-se de ter apenas uma bala, com uma bala no tambor sua chance de sobreviver ao primeiro disparo é de 5 em 6.
Clack.
Não foi desta vez que pode descobrir o quanto a bala quente se distingue do gatilho frio.
Ele não suporta a dor de viver sem ela, ele não suporta a dor de ter sido traído.
Ele é fraco, ele a ama.
Apenas mais um trago.
Apenas mais uma chance.
Apenas mais uma nota. BAM.
Apenas mais uma vida.
Sentado a sua escrivaninha ele tenta extrair algum prazer do copo de cachaça em sua frente.
Nunca foi de beber, mas lhe agradaria muito uma garrafa de whisky ao lugar da cachaça, assim ele tinha imaginado, assim ele havia visto na TV.
Ele toma mais um trago curto e seco da cachaça, sente a garganta e o estomago não acostumado a beber reclamar da qualidade da bebida, deseja novamente um belo copo de Whisky, mas desfaz esse pensamento com o consentimento de que o pouco dinheiro que tinha foi bem gasto no velho 38.
Um longo gole parece lhe amaciar o estomago, a garganta ainda parece rejeitar a bebida quente.
Levanta-se, enche o copo de bebida, não ousa levá-lo aos lábios, caminha calmamente pelo cômodo em direção a uma gaveta no criado-mudo e com cuidado desembrulha de uma velha flanela a única bala que possui para carregar o revolver, não que ele não pudesse adquirir outras, mas sim pela certeza que quanto maior o número de balas, maior seria o número de mortes. Por alguns instantes que não poderia dizer se foram minutos ou segundos ele se pega pensando se seria capaz de cometer assassinato, acredita que não, mas sente-se aliviado em ter em suas mãos uma única bala e esta com destino certo.
Dobra a flanela, guarda e fecha a gaveta, após tomar a maior decisão de sua vida ainda mesmo que irracionalmente cumpre ordens de sua mulher e não consegue deixar o quarto desarrumado, abre exceção ao tombar os porta-retratos com as fotos dos filhos, que fixam um olhar de pena ao pai, com lágrimas nos olhos vira às costas a procura do copo da bebida. Esquece o retrato da mulher ainda ereto sobre o criado mudo, propositalmente.
II
Ele queria odiá-la, pelos anos jogados no lixo, pela confiança traída, pelas crianças e principalmente por orgulho. Ele sabe que deveria odiá-la, ele desejava odiá-la e seu desejo acima de tudo era um desejo de morte.
Mas ele é fraco, ele a ama.
Com as crianças passando o fim de semana na casa da avó seu desejo era de que pudesse passar uma noite inesquecível com a mulher, vinho, musica romântica, sexo. Jurou a si mesmo que iria foder ela como nunca fodeo com outra, iria lhe dizer que a perdoava, iria lhe fazer carinhos madrugada adentro e daria um presente cujo qual ela nunca poderia esquecer: Uma bala na cabeça.
Em seus pensamentos tudo era perfeito, mas a realidade era contrária aos seus sonhos, na realidade ele era um fodido.
Suas crianças não voltariam para casa. Sua mulher esta noite provavelmente irá foder com outro homem de uma maneira que com certeza que ele nunca conseguiria e sabe que o máximo de romantismo que conseguiria ter seria uma punheta bem batida.
Fodido ou não está é sua noite, esta é sua oportunidade e este é seu momento. Volta à escrivaninha , substitui o vinho por outro copo de cachaça, coloca sem pressa sua única bala no velho 38, e o som do tambor girando cria música onde antes só havia respiração.
Uma mão carrega o tambor enquanto a outra tenta carregar a alma de coragem. Começa encontrar prazer na bebida barata que agora mais rapidamente vai se esvaziando do seu copo e por um instante acredita ter encontrado a solução para seus problemas, por um instante acredita ter encontrado a solução para todos os problemas do mundo, apenas por um instante, apenas por mais um momento de fraqueza.
Com poucos orgulhos na vida ele não desiste da decisão, era ele ou ela, não suportaria a idéia de um mundo onde um dos dois estivesse vivo, mas ele é fraco, ele a ama e como um dos dois tinha de morrer resolveu salvar a vida de sua amada tirando a própria, tudo isso parece muito bonito, muito poético e seria se sua escolha não se baseasse também no fato dele ser um fodido e sua vida ser uma merda.
A música para.
Seu braço calmamente levanta o revolver até a altura da cabeça, o tambor aponta a região do crânio acima da orelha tirando qualquer visão que poderia ter da cena. Suas mãos tremem e evidenciam o quanto é fraco, toma mais um trago sabendo que nada adiantará. Arrepende-se de ter apenas uma bala, com uma bala no tambor sua chance de sobreviver ao primeiro disparo é de 5 em 6.
Clack.
Não foi desta vez que pode descobrir o quanto a bala quente se distingue do gatilho frio.
Ele não suporta a dor de viver sem ela, ele não suporta a dor de ter sido traído.
Ele é fraco, ele a ama.
Apenas mais um trago.
Apenas mais uma chance.
Apenas mais uma nota. BAM.
Apenas mais uma vida.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Não confunda carência ao amor.
Sabe aquela garota?
Aquela com os mesmos gostos que os teus
Os mesmos erros
Sabe aquela garota?
Aquela com os mesmos defeitos que os teus
os mesmos jeitos
Aquela garota que no passado te chamou atenção?
E agora
Dia após dia parece perfeita pra você?
Conhece aquele sentimento?
De querer alguém perto de ti
Mesmo que essa pessoa esteja longe
Aquele sentimento de que ali
Ao teu lado
Teria um lugar pra ela?
Sabe aquela garota?
Aquela que esteve com você em uma festa
Você queria que fosse a sua garota
Mas não era
Aquela garota que você tanto conversa
Que acredita entender tão bem
Você não conhece
Como aquele sentimento
Aquele que sempre achamos controlar
Mas nunca controlamos
Aquele que sempre achamos entender
E nunca entendemos
Aquela garota
Aquele sentimento
Neste momento você acha que é amor
E exatamente nesse momento
Ela pensa que é a garota
Talvez seja, talvez não
Pode ser amor
Ou carência
Talvez seja, talvez não.
Aquela com os mesmos gostos que os teus
Os mesmos erros
Sabe aquela garota?
Aquela com os mesmos defeitos que os teus
os mesmos jeitos
Aquela garota que no passado te chamou atenção?
E agora
Dia após dia parece perfeita pra você?
Conhece aquele sentimento?
De querer alguém perto de ti
Mesmo que essa pessoa esteja longe
Aquele sentimento de que ali
Ao teu lado
Teria um lugar pra ela?
Sabe aquela garota?
Aquela que esteve com você em uma festa
Você queria que fosse a sua garota
Mas não era
Aquela garota que você tanto conversa
Que acredita entender tão bem
Você não conhece
Como aquele sentimento
Aquele que sempre achamos controlar
Mas nunca controlamos
Aquele que sempre achamos entender
E nunca entendemos
Aquela garota
Aquele sentimento
Neste momento você acha que é amor
E exatamente nesse momento
Ela pensa que é a garota
Talvez seja, talvez não
Pode ser amor
Ou carência
Talvez seja, talvez não.
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